
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Enlightenment

segunda-feira, 27 de julho de 2009
Por do Sol em Toc Toc
quinta-feira, 23 de julho de 2009
"Stop. A vida parou o foi a automóvel?"

O grande Drummond era capaz dessas sacadas geniais e por vezes minimalistas. Assim como quem salta de um chapéu mexicano dos parques de diversões, logo após seus giros rápidos e vertiginosos, durante os quais o tempo nos parece andar mais rápido, ou ao contrario, mais lento para os que estão do lado de fora, já que tudo o mais passa correndo, difuso, um turbilhão de som e cores, enquanto, tomados pela adrenalina da brincadeira e da aventura rimos girando suspenso no ar. Quando depois saltamos fora, a adrenalina cessa, voltamos ao tempo normal, mais lento, as imagens nítidas e reais. Da mesma forma, o modus vivendi acelerado, estressante, sob a profusão de informações de todos os lados, dos deslocamentos absurdos, dos compromissos múltiplos, como se não existissem as distâncias nem o trânsito sempre engarrafado, onde todos lutam contra todos, mas todos são vencidos pelo relógio e pelo atraso aos compromissos, cada vez mais numerosos. Essa ordem de coisas vai tornando nossas vidas mais e mais como o chapéu mexicano, onde estamos sempre embarcados num gira-gira que nos causa vertigens, embaça as cores e a nitidez do momento presente. Estamos sempre preocupados demais com o próximo compromisso, à volta a seguir do gira-gira, com o sucesso ou infortúnios alheios, o "banco da frente do gira-gira", ou ainda com as lembranças de ontem. Cotidianamente, como pilotos automáticos, vamos dirigindo nossos carros, nadando desajeitados num mar sem fim de veículos em trânsitos sempre morosos ou parados. Mas às vezes, algo nos tira dessa “Matrix” ilusória, desse transe robótico consumista existencial, onde só se existe socialmente, quando e se consumimos, mas ao mesmo tempo, nesse estado “consumista auto-ilusionista”, não vivemos jamais a realidade presente, mas sim um passado saudosista, ou no futuro imediato do próximo consumo ou da experiência hedonista a seguir.
Sim, a realidade fora dessa ilusão de carrosel existe, e de repente ela nos tira do "gira-gira", nos expulsa do casulo da Matrix, assim como o herói, Neo, o escolhido foi cuspido do seu casulo "tumba de zumbi”, graças a outro personagem do filme Matrix, o Morfeu. Nesta manhã, Morfeu bateu a minha porta. Tirou-me do casulo e eu fui cuspido para a realidade crua e nua, para fora da rotina alienante, dos cenários escapistas das vitrines dos shoppings, dos carros importados que rodam ao nosso redor e das belas mulheres plásticas com seus cabelos lisos por chapinhas e rostos esculturais de botox, como celebridades a "la Michael Jackson". Hoje não vou dirigir como um autômato. Não vou falar mal dos motoristas que cortam a minha frente, ou maldizer o transito engarrafado. Não vou me distrair a flertar com a bela loira do carrão ao lado, ou ainda entrar no escritório com cara de ser superior, de executivo assoberbado, reclamando do atraso a reunião, devido a mais um motoqueiro que resolveu falecer esta manhã, justamente no meu trajeto.
Hoje, Morfeu me ligou, me avisando que meu tio, aquela figura carinhosa que tanto marcou minha infância dourada faleceu. O tempo então parou. Sai derepende da vertigem do gira-gira: do tráfego matinal, das loiras plástico-esculturais, dos carrões, das desejadas viagens a paraísos longínquos, das ambicionadas promoções a cargos e maiores salários. Tudo isso parou ou ficou "de repende, não mais do que de rependente", sem o menor sentido.
Algo de precioso, real, se foi. Um pedaço de mim vai junto também. Mais uma testemunha e cúmplice de parte da minha vida desaparece. A vida fica um pouco menor. Continuo a tomar o meu café, apreciando o seu aroma e sabor. Beijo meu filho ao lado. Sinto um alento de ainda estar vivo, de poder sentir aromas, abraçar meu filho, estar em casa, afagar minha cadela e assistir os movimentos matinais, quase orquestrados da minha esposa a reger nosso lar. Ah, a realidade, enfim, crua e nua, sem passado ou futuro, sem mascaras ou títulos, cargos ou nomes. Estou vivo, ainda vivo. Às vezes é preciso alguém próximo morrer, sermos tomados por súbita tristeza, para saltarmos do automóvel e parar esse tempo acelerado e ilusório. Respirar fundo, e voltar a viver de verdade, mais uma vez.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Celebrem as "flores em luz" todas as manhãs

