sexta-feira, 31 de julho de 2009

Enlightenment




Enlightnenment

the light is here
the light is there
the light is everywhere
and all is light

the light is in me
the light is in thee
the light is in everyone
and all is one!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Por do Sol em Toc Toc

Neste fim de semana atípico de inverno, chuvoso e úmido, me aqueci com as leituras fáceis dos hits contemporâneos, sempre longe da funky TV. Por vezes, meio dormindo acordado pós-almoço do domingo, olhos semicerrados a observar gotas intermitentes desse choro de chuva infindável, as lembranças do meu último fim de semana em Toc Toc, me acalentaram com um pouco de cor na memória a esse domingo tão cinza. Neste ano, estive em Toc Toc, da última vez, num fim de semana pré-feriado. Larguei tudo por um momento de paz, de esquecimento. Saímos de São Paulo às duas da tarde de uma sexta-feira. Peguei a chave da casinha da Sandrinha, na Lapa, às três. Finalmente partimos. Uma hora para cruzar a marginal do Tietê e chegar a Ayrton Senna. Estava ansioso para chegar antes das cinco e meia para ver o singular por do sol em Toc Toc. A Gina dizia para eu relaxar, pois não importava quando chegaríamos. Ela estava certa, mas eu queria muito mesmo lá estar antes da noite. Chegamos, porém, cerca de seis e meia. Noite.

Passamos um fim de semana maravilhoso, sem TV, rádio, DVD, games, etc. Um fim de semana memorável em família, pleno de felicidade serena.

Só nós mesmos, como companhia e passa tempo. O tempo estava esplendido. Céu azul levemente enevoado. Sol ameno. Mar de almirante.

No sábado, após uma longa manhã de praia, de almoço e soneca, acordei às cinco da tarde. A casinha caiçara em que ficamos não é pé na areia, mas quase, do outro lado da rua. Realmente a poucos metros, muito próximo da praia, de maneira que quando dormimos o rugir ritmado das ondas nos segue por toda a noite.

Cortei caminho pelo quintal da casa de frente, onde mora um casal de pescadores, velhos amigos. Entrei na cozinha deles (tenho total liberdade por lá) tomei um gole de café requentado num copo americano e fui à praia. Sentei na espreguiçadeira para assistir a performance em “real time” do maior artista plástico do mundo: “o rei Sol”. A "tela" do ocaso em Toc Toc é privilegiada. A praia é invertida de modo que o sol se põe no mar e não no continente, como se estivéssemos na costa do pacifico e não na do Atlântico, olhando para o oriente.

Nessa época do ano já outonal, em que a curva solar é mais setentrional, não vemos a bola de fogo mergulhar nas águas em cobre. O sol "tramonta", como se diz na Itália, mais a direita da praia onde há montanhas, quase istmos cobertos por mata atlântica. Ainda assim, à medida que sol se infiltrava na silhueta negra do morro, as nuvens se tingiam mais e mais de carmim. Na linha d'água, entre ar e mar, as listras horizontais de nuvens, lilás por baixo e vermelho brasa por cima, cortavam a tela de canto a canto, por toda a praia. O mar era de um cobre bem avermelhado, não liso, mas enrugado pelas pequenas marolas que formavam sombras de um azul quase cinza, a modelar esse tapete de águas, num relevo rugoso de pontas angulosas, como se essa couraça dourada escura, fosse cheia de pontas, um ouriço metálico.

Quanto mais o sol se escondia, mais diversas eram as camadas de nuvens stratus formando diversas listras paralelas sem fim, cada qual num tom dramático de vermelho e azul profundo, mas em diferentes matizes. As luzes das casas cintilavam nas marolas, adicionando pontos de brilhos espelhados sobre o cobre e suas sombras, agora já negras.

Meus filhos brincavam contra as ondas, esquálidos e negros contra a luz agonizante. Pareciam nativos africanos, envernizados cada vez que as ondas passavam por eles. Eu me esqueci de mim mesmo. Do meu ego. De quem sou. Tornei-me parte da paisagem. Insignificante diante da sua magnificência.

Fui infinitamente feliz, por um dia. Por um momento, valeu muito mais do que muitos outros estar "simplismente" vivo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

"Stop. A vida parou o foi a automóvel?"

O grande Drummond era capaz dessas sacadas geniais e por vezes minimalistas. Assim como quem salta de um chapéu mexicano dos parques de diversões, logo após seus giros rápidos e vertiginosos, durante os quais o tempo nos parece andar mais rápido, ou ao contrario, mais lento para os que estão do lado de fora, já que tudo o mais passa correndo, difuso, um turbilhão de som e cores, enquanto, tomados pela adrenalina da brincadeira e da aventura rimos girando suspenso no ar. Quando depois saltamos fora, a adrenalina cessa, voltamos ao tempo normal, mais lento, as imagens nítidas e reais. Da mesma forma, o modus vivendi acelerado, estressante, sob a profusão de informações de todos os lados, dos deslocamentos absurdos, dos compromissos múltiplos, como se não existissem as distâncias nem o trânsito sempre engarrafado, onde todos lutam contra todos, mas todos são vencidos pelo relógio e pelo atraso aos compromissos, cada vez mais numerosos. Essa ordem de coisas vai tornando nossas vidas mais e mais como o chapéu mexicano, onde estamos sempre embarcados num gira-gira que nos causa vertigens, embaça as cores e a nitidez do momento presente. Estamos sempre preocupados demais com o próximo compromisso, à volta a seguir do gira-gira, com o sucesso ou infortúnios alheios, o "banco da frente do gira-gira", ou ainda com as lembranças de ontem. Cotidianamente, como pilotos automáticos, vamos dirigindo nossos carros, nadando desajeitados num mar sem fim de veículos em trânsitos sempre morosos ou parados. Mas às vezes, algo nos tira dessa “Matrix” ilusória, desse transe robótico consumista existencial, onde só se existe socialmente, quando e se consumimos, mas ao mesmo tempo, nesse estado “consumista auto-ilusionista”, não vivemos jamais a realidade presente, mas sim um passado saudosista, ou no futuro imediato do próximo consumo ou da experiência hedonista a seguir.

Sim, a realidade fora dessa ilusão de carrosel existe, e de repente ela nos tira do "gira-gira", nos expulsa do casulo da Matrix, assim como o herói, Neo, o escolhido foi cuspido do seu casulo "tumba de zumbi”, graças a outro personagem do filme Matrix, o Morfeu. Nesta manhã, Morfeu bateu a minha porta. Tirou-me do casulo e eu fui cuspido para a realidade crua e nua, para fora da rotina alienante, dos cenários escapistas das vitrines dos shoppings, dos carros importados que rodam ao nosso redor e das belas mulheres plásticas com seus cabelos lisos por chapinhas e rostos esculturais de botox, como celebridades a "la Michael Jackson". Hoje não vou dirigir como um autômato. Não vou falar mal dos motoristas que cortam a minha frente, ou maldizer o transito engarrafado. Não vou me distrair a flertar com a bela loira do carrão ao lado, ou ainda entrar no escritório com cara de ser superior, de executivo assoberbado, reclamando do atraso a reunião, devido a mais um motoqueiro que resolveu falecer esta manhã, justamente no meu trajeto.

Hoje, Morfeu me ligou, me avisando que meu tio, aquela figura carinhosa que tanto marcou minha infância dourada faleceu. O tempo então parou. Sai derepende da vertigem do gira-gira: do tráfego matinal, das loiras plástico-esculturais, dos carrões, das desejadas viagens a paraísos longínquos, das ambicionadas promoções a cargos e maiores salários. Tudo isso parou ou ficou "de repende, não mais do que de rependente", sem o menor sentido.

Algo de precioso, real, se foi. Um pedaço de mim vai junto também. Mais uma testemunha e cúmplice de parte da minha vida desaparece. A vida fica um pouco menor. Continuo a tomar o meu café, apreciando o seu aroma e sabor. Beijo meu filho ao lado. Sinto um alento de ainda estar vivo, de poder sentir aromas, abraçar meu filho, estar em casa, afagar minha cadela e assistir os movimentos matinais, quase orquestrados da minha esposa a reger nosso lar. Ah, a realidade, enfim, crua e nua, sem passado ou futuro, sem mascaras ou títulos, cargos ou nomes. Estou vivo, ainda vivo. Às vezes é preciso alguém próximo morrer, sermos tomados por súbita tristeza, para saltarmos do automóvel e parar esse tempo acelerado e ilusório. Respirar fundo, e voltar a viver de verdade, mais uma vez.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Celebrem as "flores em luz" todas as manhãs

Em inglês existe uma expressão de difícil tradução para o português: “for granted ”. Ela significa uma ingratidão, ou melhor, nossa indiferença quando ganhamos algo, obtemos alguma coisa, uma boa ação ou um presente. É como ter uma dádiva, sem nenhum reconhecimento ou apreciação por quem a recebe. Assim tem se desenrolado o drama humano: “for granted”. Somos capazes de maravilhas. Nada no momento é tão emblemático, como nesta data de Julho de 2009, em que comemoramos os quarenta anos em que o primeiro homem pisou na lua. A saga humana continua, acelerando o tempo por meio da evolução científica e tecnológica, provendo o homem de maior longevidade e de uma qualidade de vida e de recursos, nunca antes tão abundantes em toda a nossa história. No entanto, o paradoxo é que continuamos a padecer de infelicidade crônica. Na maioria das vezes, entretanto, isso não é devido a grandes traumas, terríveis doenças ou grandes violências. Sim, estas continuam a ocorrer por todo o planeta, infelizmente, mas a grande maioria da humanidade sente-se infeliz, apesar de viver em relativa boa vida, nessa era de abundância, onde tudo se encontra, para comer, vestir, se abrigar, se curar, se entreter, em cada esquina, nas lojas, supermercados, e shoppings. Nunca tantos tiveram tanto e ainda assim, continuamos a sofrer de “infelicidade crônica”. São os eternos problemas das relações humanas, os dos (des) casais, as relações competitivas no trabalho, pretensamente “amistosas”, o stress, o infinito desejo de consumo, desmedido como se toda a felicidade depende-se, em dado momento, da posse da última tecnologia de celular disponível ou de um carro zero km. Por futilidades, desejos sem fim e medo constante de não sermos socialmente aceitos, por não aparentarmos "ter poder de consumo" – “consumo, logo existo” -, de não sermos mais amados, desejados ou até mesmo, não mais invejados, sobretudo, “notados”. Continuamos a gastar o nosso bem mais precioso e escasso, o nosso tempo de vida, com as coisas externas, os “espelhinhos para índios”, que só nos causam alegrias instantâneas, mas fugazes, tão efêmeras como os “(de) efeitos do crack”. No entanto, basta um simples olhar, como aqueles primeiros astronautas da Apolo Oito, que quando entraram em órbita lunar pela primeira vez, vislumbraram uma única maravilha,singela, linda e colorida। Não a lua deserta, meta impossível e enfim alcançada, mas sim o “nascer” da terra, visto da lua। A linda dama, a seminua azul brilhante, com seu vestido branco esvoaçante, suspensa no éter, em contraste com o escuro, eterno e sombrio do universo sem fim. Essa dádiva que é a terra, que é a vida, que todos os dias nós dá a oportunidade de estarmos vivos, aqui e agora, de levantarmos a cada manhã e vislumbramos as gotas de luz que enfeitam a tudo, dando cor e beleza ao que chamamos de “realidade”, permitindo a vida continuar a florescer nesta bola de gude brilhante, tão pequena como um grão de areia perdido numa praia sem fim que é o grande cosmo. Tudo que aqui vive é devido a essa luz e ao seu calor sobre a face da nossa mãe terra. Tudo se enfeita de seu brilho e se veste de cor a cada manhã, como pétalas de flores brilhantes, como luzinhas de natal a reluzir esse imenso cenário que chamamos de vida. Todos os dias, temos um espetáculo, um milagre diante dos nossos sentidos, mas ao invés de nos extasiarmos pelo simples fato de respirarmos, de estarmos vivos para apreciarmos e desfrutamos dessa magia milagrosa, continuamos obstinadamente a gastar nosso tempo com pensamentos voltados ao possuir, ao aparecer diante das opiniões alheias, e assim, deixamos de desfrutar a vida “per se” , deixamos do simplesmente e eterno “ser”, para o efêmero “ter”. E assim continua a humanidade...