quarta-feira, 22 de julho de 2009

Celebrem as "flores em luz" todas as manhãs

Em inglês existe uma expressão de difícil tradução para o português: “for granted ”. Ela significa uma ingratidão, ou melhor, nossa indiferença quando ganhamos algo, obtemos alguma coisa, uma boa ação ou um presente. É como ter uma dádiva, sem nenhum reconhecimento ou apreciação por quem a recebe. Assim tem se desenrolado o drama humano: “for granted”. Somos capazes de maravilhas. Nada no momento é tão emblemático, como nesta data de Julho de 2009, em que comemoramos os quarenta anos em que o primeiro homem pisou na lua. A saga humana continua, acelerando o tempo por meio da evolução científica e tecnológica, provendo o homem de maior longevidade e de uma qualidade de vida e de recursos, nunca antes tão abundantes em toda a nossa história. No entanto, o paradoxo é que continuamos a padecer de infelicidade crônica. Na maioria das vezes, entretanto, isso não é devido a grandes traumas, terríveis doenças ou grandes violências. Sim, estas continuam a ocorrer por todo o planeta, infelizmente, mas a grande maioria da humanidade sente-se infeliz, apesar de viver em relativa boa vida, nessa era de abundância, onde tudo se encontra, para comer, vestir, se abrigar, se curar, se entreter, em cada esquina, nas lojas, supermercados, e shoppings. Nunca tantos tiveram tanto e ainda assim, continuamos a sofrer de “infelicidade crônica”. São os eternos problemas das relações humanas, os dos (des) casais, as relações competitivas no trabalho, pretensamente “amistosas”, o stress, o infinito desejo de consumo, desmedido como se toda a felicidade depende-se, em dado momento, da posse da última tecnologia de celular disponível ou de um carro zero km. Por futilidades, desejos sem fim e medo constante de não sermos socialmente aceitos, por não aparentarmos "ter poder de consumo" – “consumo, logo existo” -, de não sermos mais amados, desejados ou até mesmo, não mais invejados, sobretudo, “notados”. Continuamos a gastar o nosso bem mais precioso e escasso, o nosso tempo de vida, com as coisas externas, os “espelhinhos para índios”, que só nos causam alegrias instantâneas, mas fugazes, tão efêmeras como os “(de) efeitos do crack”. No entanto, basta um simples olhar, como aqueles primeiros astronautas da Apolo Oito, que quando entraram em órbita lunar pela primeira vez, vislumbraram uma única maravilha,singela, linda e colorida। Não a lua deserta, meta impossível e enfim alcançada, mas sim o “nascer” da terra, visto da lua। A linda dama, a seminua azul brilhante, com seu vestido branco esvoaçante, suspensa no éter, em contraste com o escuro, eterno e sombrio do universo sem fim. Essa dádiva que é a terra, que é a vida, que todos os dias nós dá a oportunidade de estarmos vivos, aqui e agora, de levantarmos a cada manhã e vislumbramos as gotas de luz que enfeitam a tudo, dando cor e beleza ao que chamamos de “realidade”, permitindo a vida continuar a florescer nesta bola de gude brilhante, tão pequena como um grão de areia perdido numa praia sem fim que é o grande cosmo. Tudo que aqui vive é devido a essa luz e ao seu calor sobre a face da nossa mãe terra. Tudo se enfeita de seu brilho e se veste de cor a cada manhã, como pétalas de flores brilhantes, como luzinhas de natal a reluzir esse imenso cenário que chamamos de vida. Todos os dias, temos um espetáculo, um milagre diante dos nossos sentidos, mas ao invés de nos extasiarmos pelo simples fato de respirarmos, de estarmos vivos para apreciarmos e desfrutamos dessa magia milagrosa, continuamos obstinadamente a gastar nosso tempo com pensamentos voltados ao possuir, ao aparecer diante das opiniões alheias, e assim, deixamos de desfrutar a vida “per se” , deixamos do simplesmente e eterno “ser”, para o efêmero “ter”. E assim continua a humanidade...

2 comentários:

Anônimo disse...

LEGAL O SEU BLOG
PARABÉNS

Emily disse...

Você é um ser humano iluminado, e possui um lindo coração!Sou grata por ter cruzado um dia no meu caminho..