
Amigos, a crônica de hoje não é bem minha. Nem mesmo uma crônica seria. Um conto, talvez? Não. Uma conversa com vocês? Sim, creio que por ai.
Vou parafrasear a minha filhinha de oito anos e dividir o seu texto e intimidade entre pai e filha com vocês. Há momentos que a nossa flama, que chamamos de alma se erradia mais, se inflama, se ilumina subitamente como o ascender de uma vela, ou como o gás de um isqueiro, etéreo, imperceptível, fino de substância, mas que se faz presente quando aquecido por uma minúscula centelha luminosa que acende a luz. Assim, nossa alma, energia radiante, por vezes se expande um pouco mais quando aquecida por qualquer centelha genuína de amor e candura.
O amor dos pais para com os filhos, incondicional e desapegado, é visceral e transcendente aos nossos próprios egos. O que torna um Pai ou uma Mãe, imensamente feliz na relação com seus filhos? Claro que com a realização, bem estar e felicidades deles. Mas é inegável que quando sentimos ou tomamos ciência de que eles, nossos filhos nos amam, o sentimento de felicidade é incomensurável, certo? Haveria ainda sensação de felicidade maior?
No dias dos pais, entre os presentinhos, recebi dos meus filhos aqueles singelos cartões que a escola os ajuda artesanalmente a elaborar. Como sempre, eles ficam excitadíssimos com o segredo da confecção dos cartões comemorativos para no dia D, para que junto com os presentes, abraços e beijos, possam entregá-los, dizendo “pai fiz pra você”. Os cartões sempre são inocentes, mas sinceros quanto aos textos. A idéia da produção é da escola, claro, mas o “handcraft” é dos pequenos mesmo. O cartão da minha “piccola” era um retângulo de papel cor de caixa de papelão, que dobrado formava um quadrado perfeito. Na capa, um pedaço de cartolina preta, em forma de quadrado menor, como moldura interna. Dentro deste, três letras em alto relevo, formadas por pedaços de papel colados juntos, um a um, como peças de “lego”, para formar cada letra da palavra. Eram finas tiras de papel, cortadas a tesoura, enroladas cada qual em pequenas bobinas, como serpentinas de carnaval ainda não abertas. As pecinhas brancas juntas fizeram o "P" grande, as vermelhas o “A” e as tiras pretas o “I”. Simples, a capa título do cartão: “Pai”. Abrindo a dobra, porta do cartão, há um quadrado, extraído de algum caderno de caligrafia, cortado e colado, provendo as linhas para que finalmente, minha pequena escrevesse ali algo de seu, original, sem mais nenhuma direção artística externa, que a seguir, divido com vocês:
“Querido Papito,
Você é o melhor pai que alguém poder ter. É que você é incrível. você inspira a gente. você é bonzinho, carinhoso, bondoso e amoroso!
Quando você fala parece que você está dando um abraço no meu coração.
Muitos Beijos”
Bem caro leitor, “Quando você fala parece que você está dando um abraço no meu coração”, confesso, foi uma fagulha de amor e felicidade para mim. Fui surpreendido, tanto no racional pelo inusitado e expressivo da frase, quanto no emocional. Ela conseguiu me dar certeza de que tem certeza do meu amor por ela!
Um dos maiores contentamentos de todos, para os pais é ter a certeza de que nossos filhos têm plena convicção do nosso amor por eles. Não há nada igual a esse sentimento!
“Light for all”

Um comentário:
Que lindo!Quanta poesia e sensibilidade!Só podia mesmo ser sua filha! ;)
Postar um comentário